Desafios no Campo Missionário

Pastora Angela Nascimento, missionaria no Chile


Sou pastora da 1 Região eclesiástica da Igreja Metodista no Brasil, pastoreava no Distrito de Campo Grande onde servi no ministério EVANGEMED durante 10 anos. Participei de projetos em Moçambique, Paraguai e Ribeirinhos. Meu trabalho missionário no Chile começou em 2011 depois do terremoto que afetou o país. Durante minhas férias fiz parte de uma equipe de missões de curto prazo junto a equipe do MOVIDA. Durante os anos seguintes segui viajando ao Chile 1 vez ao ano fazendo missões de curto prazo.


Em 2012 iniciei um trabalho missionário sendo parte da equipe de missões do Informe, junto ao Pastor Benjamin Reyes. Difundíamos o treinamento missionário a toda América Latina e tivemos a resposta do Chile para fazer conexão com a Escola de Missões e como um campo de prática. Em 2013 me mudei para o Chile e assumi uma congregação como pastora auxiliar na 1 Igreja de Temuco e como conselheira missionaria, junto ao Superintendente durante 4 meses. Em janeiro de 2014 na Assembleia Geral recebi nomeação para assumir uma igreja na cidade de Traiguen. Fiquei por 5 anos como pastora nesta igreja. Em março de 2014, fui convidada para ser capela de 2 escolas básicas e secundarias para alunos indígenas. Desenvolvi este trabalho por 3 anos. Assumi assessoria de Jovens Distrital e Nacional como conselheira missionaria nos últimos 6 anos. Em 2018 Recebi uma nova nomeação em duas igrejas em cidades diferentes, Victoria e Curacautin. Fui eleita novamente para assessoria para a juventude.


Os desafios missionários no Chile foram muitos, apesar de ser um país próximo do Brasil eu vivi um forte choque cultural. A aprendizagem do espanhol foi em etapas. O início do meu trabalho no campo foi um processo um pouco difícil na comunicação porque Chile usa muitas expressões próprias que chamamos de “chilenismo”. Tive que aprender espanhol e o “chileno” e observar a cultura (igreja, relacionamentos, sociedade). As igrejas passam pelo fenómeno de “envelhecimento” e diminuição de jovens e crianças. Ao iniciar o trabalho na escola indígena em 2014, me deparei com outro idioma, o “mapuzugun”, língua indígena nativa. Os alunos não usavam a língua indígena, mas tinham aula sobre sua cultura e a língua do seu povo. Outro desafio foi o clima frio. A temperatura da Região onde eu moro pode chegar a -5ºC e as casas em general no sul do Chile não tem calefação, usam estufas a lenha. A cultura chilena tem influência europeia e são muito introvertidos. Trabalham muito e têm pouco tempo livre. Estes Fatores são um grande desafio para trabalhar evangelismo e discipulado. A região em que moro atualmente têm conflitos indígenas por motivo de terras, e de tempos em tempos, vivemos momentos de tensão que provocam confrontamentos. As duas igrejas nas quais pastoreio estão localizadas na “zona vermelha” dos conflitos. As estradas entre uma cidade e outra pode ser interditadas no inverno pela neve ou por força dos conflitos na Região. Tivemos notícias nos jornais Chilenos de igrejas sendo queimadas, por isso, devemos orar pela paz na Região.


Enfrentar os desafios de um campo missionário envolve passos muito importantes. Foi necessário um tempo de imersão na cultura antes de me mudar para o país, começando com viajes de curto prazo. Meu primeiro desafio a ser vencido foi a comunicação para estabelecer relacionamentos. Com mentoria, o choque cultural que vivi no primeiro ano foi vencido, junto a uma vida devocional, confiando minha vida ao Senhor e relacionamentos com amigos chilenos me ajudaram a me adaptar a cultura. Aprendi o idioma com ajuda de uma professora de linguagem (letras) chilena. Lembro que entrei no Chile com uma mala de 23 quilos e tive que comprar roupas apropriadas para o clima de intenso frio, andava como um balão. Ao buscar conselhos com missionários fui orientada a não me agasalhar tanto para me acostumar mais rápido. Foi um sofrimento, mas deu bons resultado. A observação foi uma atitude que me ajudou muito para conhecer a cultura e desenvolver planos de trabalho. As ênfases para meu projeto de trabalho foram: relacionamento e discipulado, através de estudos bíblicos indutivos. Os primeiros 5 anos foi um tempo de viver o choque cultural, estabelecer relacionamentos e adaptação a nova cultura (moeda, transporte, vida diária, comida, cultura indígena, forma eclesiástica, sistema de educação e saúde, etc.).


No quesito de serviço à igreja, assessorei a Federação de Jovens distrital e Nacional desenvolvendo trabalhos através de relacionamentos, acampamentos de verão e treinamento missionário (Agência Misión de Fe e Agencia Malta).

Mesmo diante das dificuldades e de alguns objetivos não alcançados nos primeiros 5 anos, segui semeando a palavra e entendendo que também há sementes invisíveis que ao seu tempo frutificaram. Em meu sexto ano de campo pude viver o fruto do discipulado pessoal e dos estudos bíblicos, estabelecendo jornadas de oração 24 horas junto à igreja e avançando para formação de grupos pequenos nas casas, coordenados por líderes locais.


Em 2020 fomos impactados pela pandemia causada pelo vírus COVID -19. O primeiro momento foi dar a igreja e a juventude palavra de segurança em Deus e cuidados sanitários. Realizamos uma jornada de oração para preparar a igreja para um tempo de incertezas e estabelecer devocionais diários para fortalecer a fé e a comunhão (pastor e líderes locais). Revisamos o plano da igreja e modificamos para adaptar ao novo momento. A busca em oração e os estudos/series sobre a plenitude do Espírito Santo fez uma grande diferença na igreja que se tornou mas fervorosa.


Em consequência da pandemia e quarentenas, as igrejas no Chile não estão com seus templos abertos. Nas igrejas que sirvo, podemos sentir a presença tangível de Deus através dos trabalhos por plataformas digitais (ZOOM, Meet) e grupos de discipulado nas casas. Estamos vivendo uma pequena frutificação da semente em meio ao caos e Deus está somando os salvos.


Como assessora de Jovens estamos seguindo programas através da plataforma ZOOM com encontros mensais, jornadas de oração e grupos pequenos. Seguimos firmes, confiando que Deus tem o controle de tudo, e acreditando que neste tempo é importante recordar as palavras de Paulo “a criação anseia a manifestação dos filhos de Deus.” As Missões se fazem através da manifestação dos filhos obedientes ao Pai que começou a obra e a Jesus autor e consumador de nossa fé que nos ordenou que façamos discípulos em toda a terra. Ele não disse que faltaria aflição, mas que tivesses bom ânimo porque ele venceu, e nos venceremos com Ele. Nos foi enviado seu Espírito Santo para que pudéssemos suportar as aflições e realizar a obra com alegria.